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fome emocional.pngLembram-se de já anteriormente termos abordado por aqui este tema? Então ninguém melhor que um especialista para nos esclarecer todas as dúvidas!


Convidei a Drª Júlia Marçal, Psicóloga Social e Organizacional e autora do livro: A Comida como Almofada Emocional – Porque comemos sem ter fome?, para nos falar um pouco mais sobre estes ataques de fome.

Deixo-vos agora o seu contributo! Espero que gostem e aproveito uma vez mais para agradecer a disponibilidade da Drª Júlia para colaborar com o blog!

Ora espreitem...

 

 

É daquelas pessoas que:

1) antes de se deitar costuma dar um “miminho”, ao seu estômago, para dormir melhor?;

ou

2) costuma ter intensos desejos por comida que a levam a ingerir elevada quantidade de alimentos durante a noite?

 

Se a resposta a alguma das questões anteriores for afirmativa, muito possivelmente, o seu caso enquadra-se na Síndrome de Fome Nocturna, que se caracteriza pela ingestão de calorias após as 22h. No entanto, deixe-me alertá-la para o facto de uma pessoa com a Síndrome de Fome Nocturna não ser, obrigatoriamente, um comedor compulsivo, apesar de muitos comedores compulsivos apresentarem esta síndrome. Mas, quer num caso, quer noutro, a pessoa tende a ingerir calorias que excedem a real necessidade do organismo, o que resultará num acumular dessas calorias sob a forma de gordura, visto que o período da noite corresponde, para a maior parte das pessoas, a um período de descanso, e não de actividade física.

 

No que respeita às causas dos ataques de fome nocturnos, vários profissionais de saúde consideram que estes comportamentos assentam numa raiz psicológica, tais como tensões e carências emocionais que uma pessoa tenta suprimir através da ingestão de comida; como acontece com alguns dos indivíduos que apresentam padrões de Fome Emocional. De forma adicional, existem causas biológicas que despoletam os ataques de voracidade alimentar, sobretudo de noite, como seja a carência nutricional que advém da privação alimentar em que uma pessoa se encontrou durante o dia.

 

Factores que potenciam a ocorrência de ataques de fome nocturnos:

1) Privação Alimentar, nomeadamente quando uma pessoa passa períodos prolongados de tempo sem comer, como quando se salta refeições e, também, quando se segue dietas restritivas. Nestes casos a carência nutricional tem o potencial de gerar desejos intensos por comida, os quais são difíceis de controlar, dada a necessidade urgente do organismo repor os níveis de glicose no sangue, assim como dos nutrientes em falta.

 

2) Rituais após o jantar. Para algumas pessoas acabar de jantar implica desfrutar do conforto do lar, por exemplo, sentar-se confortavelmente no sofá enquanto assiste a um programa de televisão. No entanto, para alguns, este ritual é acompanhado da ingestão de mais comida: uns aperitivos, batatas fritas, pipocas, bebidas. Quem é que nunca viu um filme acompanhado de algum artigo comestível? Nestes casos, para além da ingestão de calorias extra ocorrer após o jantar e este ser um momento de baixa actividade física, o que facilita a acumulação de gordura no organismo, existe um outro fenómeno que é relevante abordar. Quando comemos e realizamos outra actividade em simultâneo, como por exemplo ver televisão, a nossa mente tende a dispersar a sua atenção, pelo que o foco deixa de ser o que se come e passa a ser o filme ou o programa que se está a assistir. Nestas situações é comum perder-se a noção do que se come, nomeadamente, se se estiver a petiscar algo de um pacote. No momento em que a nossa mão já não tem alimento para tirar é que nos apercebemos que comemos demais: “- Já comi este pacote todo?”

 

3) Reacção a padrões de stress e outros tipos de tensão. Nem sempre a tranquilidade do lar facilita um estado de calma interior, nomeadamente se a nossa mente se mantiver focada nos problemas, trabalho e outros assuntos que nos incomodam. Por vezes, o silêncio da noite convida ao aparecimento de recordações, pensamentos e emoções que causam nostalgia, mal-estar, irritabilidade, frustração. Assim, para mascarar a dor interior recorre-se ao prazer associado ao acto de comer, que resulta num alívio momentâneo, mas cujos efeitos de médio e longo-prazo se apresentam muito nefastos: culpa, ansiedade, aumento de peso, excesso de peso, obesidade, diabetes de tipo II, entre outros.

 

Estratégias para parar os ataques de fome nocturnos:

1) Para evitar os efeitos da privação alimentar é importante ter uma alimentação variada e equilibrada ao longo do dia, evitando períodos prolongados sem comer, de modo a diminuir a ocorrência de desejos violentos por comida, que são difíceis de controlar.

 

2) Ao sentir uma intensa vontade de comer beba, imediatamente, um copo de água. Se não gostar de água junte umas gotas de sumo de laranja para a aromatizar e tornar o seu sabor mais agradável.

 

3) Quando tomar a sua refeição, o jantar, comece com comida saciante, por exemplo, uma sopa de legumes ou salada, e deixe o alimento mais calórico para depois. Coloque a comida num prato pequeno, para evitar comer demais e, simultaneamente, ajudar o cérebro a visualizar que comeu tudo. Afaste de si travessas e tachos com sobras de comida, isto para evitar “petiscar” mais um bocadinho.

 

4) Evite petiscar depois do jantar, nomeadamente, artigos ricos em açúcares de rápida absorção. Tente ocupar a sua mente com outra actividade que não a comida. Se for difícil, saia do local onde se encontra e vá para um local da casa onde não se encontre comida (por exemplo, jardim, varanda). Ler um pouco do seu livro preferido e ouvir uma música que a anime são bons exemplos de actividades que a poderão distrair.

 

5) Pergunte a si mesma: “Como me vou sentir depois de ingerir este(s) alimento(s)? Se a sua resposta for a de que irá sentir culpa, vergonha, irritação, muito provavelmente, é porque reconhece que o alimento é desnecessário para o seu organismo. Este reconhecimento é importante, pois constitui o primeiro passo para contrariar o impulso de comer. Em seguida, mentalize-se que o alimento é desnecessário e siga as indicações do ponto anterior. 

 

Apesar das considerações supra mencionadas serem importantes, o conhecimento dos padrões alimentares de cada pessoa, nomeadamente, dos padrões de Fome Emocional torna-se fundamental para que sejam definidas estratégias mais eficazes de combate aos ataques de fome (incluindo os ataques de fome nocturnos). Informação mais detalhada sobre este tema pode ser encontrada no livro: A Comida como Almofada Emocional – Porque comemos sem ter fome?.

 

Para contactarem a Drª Júlia, cliquem aqui!

Júlia Marçal (Psicóloga Social e Organizacional)

 

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4 comentários

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De Chic'Ana a 09.03.2016 às 09:37

Confesso que sou acometida pelo "pecado número 2", com muita frequência... O que resulta comigo, é cortar uma cenoura, em palitos, e ir petiscando algo saudável =)
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De Us4all a 14.03.2016 às 15:13

Cenoura é tão mas tão bom! Também uso esse truque as vezes, mas mais no pré-jantar ;) No pós já lá vai tempo em que atacava o que me aparecia, agora felizmente sei distinguir "fome" de fome a sério e tenho conseguido evitar, mas quando a "fome" aperta há sempre umas sementes de girassol, um copo de água, uma peça de fruta, qualquer coisa para disfarçar.
Para mim também funciona muito bem não ter comida na divisão onde estou, acabo o jantar, saio da cozinha e ainda que fique mesmo ali ao lado, já não me apetece sair do sofá :)
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De rita a 14.03.2016 às 14:31

Este post, infelizmente, é a minha cara! Sei bem que para não comer tanto à noite tenho de tomar um bom lanche mas depois para a ceia não sei o que comer. Preciso de "trincar" por isso uma ou outra bolacha acabam por ser a solução e depois lá vem a vergonha e a culpa :/
Como sei que isto me acontece, vou controlar-me mais, porque é aí que está a felicidade - no equilíbrio e de sabermos aquilo q nos faz bem!
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De Us4all a 14.03.2016 às 15:11

Mesmo Rita! Muito obrigada por ler e acima de tudo por partilhar. Há muitas pessoas a "sofrer" do mesmo mal e uma tomada de consciência é importante. As dicas da Dra Júlia são também fundamentais. Depois, mesmo que a "fome" continue, procure não ter em casa bolachas açucaradas, o primeiro cuidado de saúde começa na ida às compras, se não compra, não tem, não come. Aos poucos vai fazendo pequenas grandes mudanças!Image

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